Das desnecessidades

Desde que comecei a trabalhar, sempre fui responsável pela distribuição dos brindes da empresa. Nesse meu trabalho atual quase não trabalhamos com brindes, mas o pouco que temos acaba sendo centralizado em mim.

Eu costumava andar pelos elevadores e pelos andares da empresa, com sacolas cheias dos mais diversos brindes, alguns bem legais até, e todos padronizados com as cores e o logo da respectiva empresa.

Uma coisa que sempre me deixou fascinado – puto da com a raça humana, mas fascinado – é o fato de, quando alguém entra no elevador comigo, ou quando estou em algum lugar manuseando os brindes, alguém (muitas pessoas) sempre para e pergunta se não tem um pra ele. Pode ser uma canetinha de plástico ou imã de geladeira, ou qualquer outra coisa que não sirva pra absolutamente nada!

É impressionante! Parece ser uma coisa automática. Me vê no elevador, opa, é o cara dos brindes, olha pra sacola e solta a pergunta: não tem como arrumar um pra mim? Tem o script pronto. Tenho certeza que muitas vezes a pessoa nem viu o que tem lá, mas sabe que é brinde e que é pra dar pra alguém, então por que não dar uma pra ela também?

Eu sempre fiquei muito puto com isso.

Nessa empresa atual a coisa é mais amena, pois quase não mexo com isso, mas sempre que mexo aparece um pentelho pra pedir um.

Hoje descobri uma forma de fazer a pessoa refletir sobre sua condição e se questionar se aquela situação é realmente necessária. Ok, não com tanta filosofia.

- Rafa, você não acha que eu mereço uma caneta?
- Hum… sinceramente?
- Tá, posso não merecer, mas você podia me arrumar uma.
- Fulana, você realmente precisa de mais uma caneta?



- Tá, agora você me pegou. Mas você fica em débito comigo.

Bullseye!

Saí de cabeça erguida.

~ by Rafael Arruda on June 24, 2009.

One Response to “Das desnecessidades”

  1. Hahahaha, ponto para você, Rafa!
    É incrível como as pessoas querem o que é de graça, não importa o que seja. O-povo-se-estapeia.

    Vergonha

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